Texto: Cyntia Calhado
Começamos assistindo os filmes brasileiros do período que vamos estudar, 1995 a 2007 (NE: o projeto está sendo desenvolvido por Cyntia Calhado e Camila Fink) . Você pode imaginar como foram nossos finais de semana para dar conta da enorme quantidade de longas e selecionar as pepitas de ouro que vamos analisar nos textos.

Destaco alguns títulos para quem tiver interesse: Santiago (João Moreira Salles), Jogo de Cena do mestre Eduardo Coutinho, Lavoura Arcaica, Madame Satã, Peões e os famigerados Cidade de Deus, Central do Brasil e Abril Despedaçado. Foi muito prazeroso entrar em contato com as diferentes propostas estéticas e temáticas do nosso cinema.
Enquanto isso, lemos livros e críticas da Folha, Estado e sites de cinema para nos munirmos de argumentos. O layout do site começou a ser feito e o primeiro artigo – que faz uma retrospectiva sobre o cinema brasileiro – está saindo do forno. Depois, entrevistamos dois críticos, o Inácio Araújo* e o Sérgio Rizzo**, ambos da Folha de S. Paulo. Foi uma experiência muito enriquecedora ouvir o que esses dois estudiosos do cinema têm a dizer sobre o nosso objeto de estudo. Abriu nossos olhos pra muitas coisas. Algo que me marcou neste começo de TCC foi perceber que estudar o cinema brasileiro é estudar o Brasil e encarar nossa dura realidade social e política.
E termino esse post com um trecho emblemático e inspirador de Paulo Emílio Sales Gomes retirado do livro, também conhecido como uma Bíblia do cinema nacional, Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento.
“Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro, pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar.
Boa sorte pra nós
*Inacio Araujo é crítico de cinema da Folha de S. Paulo; montador, roteirista, assistente de direção de filmes entre 1970 e 1982; autor do episódio Aula de Sanfona, no filme As Safadas (1982); autor do romance Casa de Meninas (Prêmio Revelação de Autor Associação Paulista de Críticos de Arte, 1987 – 2a. edição, Imprensa Oficial, SP); autor de Hitchcock, o Mestre do Medo (ensaio, 1982, esg.), Cinema – O Mundo em Movimento (paradidático, 1992, esg.), Uma Chance na Vida (romance juvenil, 1989)
**Sérgio Rizzo é jornalista e crítico de cinema (Folha de S. Paulo). Mestre em Artes e doutorando em Ciências da Comunicação pela USP, é professor no curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e na pós-graduação em crítica cinematográfica da FAAP.

