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Os nerds contra atacam

Maio 5, 2008

A proposta de desenvolver uma publicação, em formato de revista, para o público chamado de nerd. Por alto, essa é a idéia de Carlos Cyrino, colaborador do site Delfos,  para seu tcc.  A publicação, ainda sem nome, deve ter pelo menos dois números editados até o próximo semestre. O texto abaixo segue a linha de seus textos para o Delfos, lembrando que o universo nerd é mais amplo que o cinema e a revista pretende explorar isso.  Boa leitura.

David Rice deveria ter saltado até a Lua

Título: Jumper
País: EUA
Ano: 2008
Gênero: Ação/Ficção Científica
Distribuidora: Fox
Duração: 88 minutos
Diretor: Doug Liman
Elenco: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Diane Lane, Jamie Bell, Rachel Bilson, Michael Rooker.

Imagine um dia descobrir que você pode se teletransportar para onde quiser. Não apenas você nunca mais precisaria pagar ônibus e metrô (sem contar as horas economizadas no trânsito) como poderia conhecer o mundo inteiro num piscar de olhos. Essa é a maravilhosa premissa de Jumper, filme que me chamou a atenção desde que eu li sua sinopse e só aumentou minha ansiedade por assisti-lo após ver o trailer, que prometia se tratar de uma das melhores películas do ano.

Eu consigo pensar em algumas possibilidades ótimas para essa idéia. Só para dar um exemplo: que tal roubar uma roupa espacial da NASA e visitar todos os planetas do sistema solar?  Eu realmente acreditava que este filme poderia render excelentes argumentos e discussões, mas infelizmente os roteiristas não têm a mesma imaginação e se contentaram em escrever um filme de ação raso e bobinho, jogando no lixo um mundo de possibilidades.

 Temos a história de David Rice (Hayden Christensen), que, após passar por um evento traumático na adolescência, descobre que possui o dom de se teleportar, ou saltar, como é chamado no filme (daí seu título) para onde lhe der na telha.  Como qualquer pessoa sensata e sem falsos moralismos faria, a primeira ação de David após tomar consciência de sua nova habilidade é ir direto para dentro do cofre de um banco fazer um saque. A partir daí ele curte a vida adoidado. Toma café da manhã na cabeça da Esfinge, vai surfar em Fiji e paquera mulheres num pub em Londres, tudo isso antes do almoço. Em suma, usa seu poder em proveito próprio, o que poderia render uma boa discussão sobre egoísmo, mas fica apenas no campo superficial.
 Mas eis que um belo dia, ao voltar para casa, depara-se com Roland (Samuel L. Jackson) dentro de seu apartamento. O sujeito sabe quem ele é, o que é capaz de fazer e possui armamento de tecnologia avançada capaz de anular sua capacidade de saltar. Roland faz parte de um grupo chamado Paladinos, uma organização que caça e mata os Jumpers (isso mesmo, David não é o único) com o furado pretexto de que apenas Deus deveria ter esse tipo de poder.

E é justamente aí que o mote cheio de potencial do filme descamba para apenas mais uma obra hollywoodiana boba e com o roteiro mais furado que um queijo suíço. Pense comigo: não seria melhor esses Paladinos caçarem criminosos realmente perigosos como assassinos e estupradores do que contraventores como os Jumpers, que só querem se divertir? Essa desculpa de “o que vocês fazem não é natural e, portanto devem morrer” é forçada demais.  E outra: você encontra um cara dentro da sua casa, ele sabe quem você é e tenta te matar, mas você consegue escapar. O que você faria? Eu fugiria para o mais longe possível. Mas David prefere voltar à sua cidade natal e reencontrar seu amor de colégio, colocando-a em perigo. Isso faz algum sentido?

 Aliás, essa parte romântica do filme é bem chata e só está lá para satisfazer todos os clichês de um filme do gênero. Pelo menos as seqüências de ação são bem orquestradas e garantem a diversão, aliadas aos efeitos especiais dos saltos, simples, mas eficientes. Como destaque, cito a seqüência a bordo de um carro no trânsito de Tóquio.  Também ajuda a salvar o filme a presença de Jamie Bell como Griffin, um Jumper experiente que inverteu os papéis e virou um caçador de Paladinos. Ele rouba todas as cenas em que aparece e talvez, se tivesse sido escalado como o protagonista, o filme fosse mais interessante.  Há também o reencontro de Hayden Christensen e Samuel L. Jackson, que pode ser visto como um novo embate entre Anakin Skywalker e Mace Windu (seus respectivos personagens em Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith), mas isso não é suficiente para levar ninguém aos cinemas.

 O diretor Doug Liman, que havia feito os bons A Identidade Bourne e Sr. e Sra. Smith, desta vez errou a mão ao privilegiar aspectos mundanos como romance e ação adrenalinesca ao invés de partir para um víeis mais filosófico que uma pessoa sem limite de espaço e tempo poderia suscitar. No entanto, como o filme dá pistas de uma continuação, só posso esperar para que essas questões sejam eventualmente abordadas nela.
 No mais, Jumper é apenas uma diversão satisfatória, mas facilmente esquecível. Vale o preço do ingresso, mas não deixa de ser decepcionante notar que, num cinema (o hollywoodiano) cada vez mais dominado pela falta de criatividade, quando finalmente surge uma idéia promissora, ela é desperdiçada com a mesma velocidade que um salto de David Rice.

Por Carlos Cyrino

Como vai seu tcc?

Fevereiro 25, 2008

Este é um blog com data de início e fim bem definidas. Pelos próximos 300 e poucos dias os tcc´s de jornalismo da PUC/SP serão os temas dos posts. O objetivo será acompanhar o tortuoso trabalho de produção destes projetos do início até o fim.

Espero que meus colegas de sala e futuros jornalistas colaborem, afinal eu vou ser aquele chato que sempre vai ficar perguntado: “Como vai seu tcc?”